Você paga 22% de imposto na cesta básica.
Quem vive de dividendo paga 10%, e só às vezes.
Não é exagero de retórica. São números oficiais do DIEESE, da ANEEL e da ANP — e uma lei de 2025 que começou a cobrar do dividendo, mas deixou três portas abertas.
A ideia, em cinco parágrafos
1. O imposto brasileiro é cobrado de quem compra, não de quem ganha. Ele já vem embutido no preço do arroz, da conta de luz e do botijão. Ninguém vê, ninguém recebe boleto, e o caixa do supermercado cobra a mesma coisa de quem ganha um salário mínimo e de quem ganha um milhão.
2. Por isso ele pesa mais em quem tem menos. Quem ganha pouco gasta tudo o que recebe, e cada real gasto carrega tributo. Quem ganha muito consome uma fração da renda e guarda o resto — e sobre o que é distribuído como dividendo incide, desde 2026, uma retenção de 10%, contra os até 27,5% que saem de um salário.
3. A isenção da comida existe, mas está sendo desmontada. O tributo federal sobre a cesta básica foi zerado em 2004 e ampliado em 2013. Em abril de 2026 voltou a ser cobrado — não por uma decisão sobre alimentos, mas por um corte linear de 10% em todos os benefícios fiscais federais. Vai voltar de novo, um pedaço por vez, enquanto o Tesouro não tiver outra fonte de receita.
4. A Lei nº 15.270, de 2025, começou a corrigir isso — e parou no meio. Ela encerrou trinta anos de isenção total, mas deixou três portas abertas: o limite de R$ 50 mil vale por empresa pagadora, a alíquota é única em 10% em vez de progressiva, e os rendimentos de fundos imobiliários e do agronegócio ficaram fora da conta.
5. A Medida Provisória fecha as portas e troca a base. Trava a fuga de capitais, tranca em zero o tributo federal sobre comida, gás e luz, e substitui a retenção fixa por faixas de 10%, 20% e 30% acima de R$ 120 mil por ano, contadas por beneficiário. A ordem importa: sem o controle de capitais, a ameaça de fuga de recursos derruba as outras medidas em duas semanas. E a conta fecha — R$ 42 bilhões de receita nova contra R$ 6 bilhões de renúncia nova.
O caminho desta leitura
São quatro etapas de leitura, na ordem em que o argumento se sustenta, mais a lista de quem cobrar e os textos na íntegra. Dá para ler tudo em cerca de quinze minutos, ou ir direto ao que interessa.
A conta
Quanto de imposto está escondido na cesta básica, na conta de luz e no botijão — e o que sobra do salário mínimo depois disso.
Ver o diagnósticoA proposta
As duas frentes, a Medida Provisória e o convênio no CONFAZ, quanto tempo cada uma vale e de onde vem o dinheiro.
Ver a propostaO que vão dizer
O roteiro da chantagem que virá, as sete frases que serão repetidas contra a medida com resposta para cada uma, e o que a MP comprovadamente não faz.
Ver as respostasComo agir
Onde a pressão popular muda o resultado, quais são os prazos e o que fazer, em itens concretos.
Ver o que fazerQuem cobrar
Os 594 parlamentares que votam a medida agora e as 8.195 candidaturas de outubro, com o contato de cada um e uma mensagem pronta para enviar.
Ver a listaDocumentos
A minuta da Medida Provisória, com treze artigos e nota técnica, e a proposta de convênio para os 27 estados.
Ver os textosA Pátria não é um negócio. A Pátria é o nosso futuro.
Ou taxam o rentista, ou taxam o pão. Escolha seu lado.